Contra o Salgueiro, jogo amarrado até o terço final do 1º tempo, aquele jogo onde o editor de melhores momentos pega até imagem de lateral cobrado em câmera lenta para preencher espaço, eis que a zaga do Salgueiro sai errado com a bola, Rogério intercepta e acha Élton na área para fazer 1x0. Dancinhas marotas a parte, o jogo é reiniciado e o zagueiro salgueirense se atrapalha num recuo de cabeça e Rogério faz 2x0 decidindo o jogo.
Contra o Belo Jardim, história parecida. Zagueiro sai jogando errado, Rogério intercepta, puxa para a direita e chuta para fazer 1x0, começando o caminho para a vitória. Os números do ataque são bons, mesmo levando em conta o nível dos adversários, 39 gols em 13 jogos (3 gols por jogo) com Élton liderando a artilharia com 12 gols e Rogério (powered by Feijão Turquesa) com 6.
Tal fase não mostra só o bom momento ofensivo do time, mas também constata uma fama que o Náutico adquiriu nos últimos anos, num passe de mágica meros desconhecidos transformam-se em artilheiros perigosos. A grande questão é, como isso acontece?
Atacantes do Náutico: Como treinam? O que comem? O que botam na água dos Aflitos?
Para focar só nos mais recentes, temos a lista: Kuki, Felipe, Acosta, Gilmar, Wellington Tanque, Bruno Mineiro, Bruno Meneghel, Kieza e agora, Élton. Tirando o próprio Élton que já foi muito bem no Vasco e Bruno Mineiro que fez um baita Brasileirão pela Portuguesa no ano passado, os demais tiveram como grande momento nas suas carreiras a passagem pelo Clube Náutico Capibaribe.
O primeiro aspecto é que o clima do Náutico costuma ser bom, mesmo nos tempos de liseu. É muito comum alguns diretores se tornarem amigos próximos dos jogadores que passam por aqui, até Jorge Henrique, que chegou a acionar o Náutico na Justiça (caso parecido com o de Rogério), diz que quer encerrar a carreira no Náutico. Esse bom clima, alivia a pressão e resulta em confiança, item primordial para qualquer atacante deslanchar.
Além disso, hoje o clube tem como treinador de finalização, nada mais, nada menos que Kuki, o homem que conhece todos os atalhos para se ter sucesso no Náutico, desde chutes certeiros até a forma de se relacionar com a torcida. Tem se tornado comum os atacantes alvirrubros agradecerem ao baixinho alguns de seus gols.
Esse sabe das coisas
Porém, o principal motivo é que mesmo com as mudanças de técnicos durante todos esses anos, o Náutico tem um DNA ofensivo. Isso é bom para quem gosta de ver grandes jogos, mas um verdadeiro pesadelo para competições mata-mata. É comum o time, de maneira totalmente insana, partir pra cima mesmo ganhando.
Não é nada surpreendente constatar que o treinador de maior sucesso na história recente do clube (Muricy Ramalho) ser um cara conhecido pelas vitórias fazendo apenas o necessário, sem show. O normal se tratando de Náutico é que o time faça (e leve) muitos gols. Times ofensivos fazem artilheiros, mas times equilibrados conquistam títulos. Por isso, não é díficil constatar que de todos os artilheiros citados neste post, o único que conseguiu conquistar títulos para o clube foi Kuki.
Ambos fizeram muitos gols pelo Náutico, maaaaaaaaaaaaas
E é isso que definirá as chances do Náutico, caso o time concilie a força ofensiva com certo equilíbrio na defesa, o time chega muito forte na disputa pela taça. Vágner Mancini parece saber disso e priorizou uma defesa mais forte nos últimos dois jogos com a entrada de mais um volante. O resultado foi que a meta de Felipe não foi vazada e o time não perdeu tanta força ofensiva, mesmo criando menos chances, soube aproveitar as que apareceram.
Nas próximas rodadas o Náutico deve começar a mostrar sua cara. Se vai seguir aqueles times que atacam desesperados para fazer um gol atrás do outro esquecendo da defesa ou se vai seguir o exemplo dos times de Muricy Ramalho que mostrava, acima de tudo, eficiência para conquistar um título que não vem faz tempo.



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