Jogador promessa se envolvendo em acidente tenso de carro, ídolo da torcida dizendo que tem proposta do futebol chinês (será que essa proposta existiu mesmo?), mas o caso que me chamou atenção, foi o caso Rogério.
Explico os motivos: Rogério foi um dos grandes acertos do Náutico nos últimos anos, ao invés de apostar em jogadores do eixo Sul-Sudeste que encaram a vinda pro Náutico como um retrocesso, o clube apostou num cara do interior do estado louco pra mostrar serviço num time da capital, aparecer para o mercado nacional e a aposta deu certo, como já tinha dado com Elicarlos e Sidny, por exemplo.
Entre gols perdidos, dancinhas, assistências e uma lesão seríssima, Rogério colocou no banco cada um de seus concorrentes, de Ricardo Xavier a Araújo. Nesse meio tempo, uma coisa me chamou a atenção, ele sempre partiu pra cima dos adversários (não importa se fosse Dedé ou Chiquinho Maceió), mesmo sendo franzino e baixinho ganhava bolas aéreas de marcadores que tinham o dobro de seu tamanho e não sentiu a pressão de jogar em um clube da capital.
Um acesso para Série A e uma classificação para a Sul-Americana depois, 2013 tinha tudo para ser o ano do garoto de Pesqueira, mas eis que, em pleno Sábado de Carnaval, uma bomba explode no Náutico. Rogério não treina e bota o Náutico na Justiça.
Alguns dias de sumiço e Rogério no dialeto do jogadores de futebol (eu precisei de um tradutor do Google pra entender o que ele disse) se manifesta no seu perfil do Facebook dizendo que o Clube devia salário, FGTS, premiações, que tinha jogador do banco que ganhava mais que ele e que "só" tinha pedido um aumento. Enfim, só faltou dizer que o Náutico não tinha pago as 30 virgens que ele merecia pelo acesso.
Alguns torcedores do Náutico tiraram conclusões imediatas e acusaram a diretoria do Clube de ter errado. Como eu conheço a diretoria do meu (e sei as merdas que eles fazem) e também sei que jogador de futebol é conversador, preferi esperar para que os fatos mostrassem quem tá certo.
Não só a diretoria do Náutico mostrou todos os comprovantes de pagamento (a história das 30 virgens, aparentemente, não estava em contrato), como o Juiz deu ganho de causa ao Náutico e depois da notícia, Rogério se manisfestou, no mesmo dialeto, no mesmo perfil do Facebook dizendo frases do tipo "quem nunca errou, sou humano" e vai ter que voltar com o rabinho entre as pernas pro Náutico. Isso me fez pensar no mundo paralelo que o futebol vive quando comparado as outras profissões.
Vamos lá. Rogério simplesmente não foi homem, foi um filho da puta, teve atitude de mal caráter, visto que usou de mentiras para jogar a torcida contra o Clube e tentar ganhar na marra o passe na Justiça. Além de pedir um aumento baseado em algo que acho de extremo mal-gosto: usar como argumento o que outros profissionais ganham.
Ganho menos do que Reis, fera! Vou fugir daqui.
Se o mundo do futebol fosse igual ao trabalho que nós, meros mortais, temos, Rogério seria descontado dos dias que fugiu ou demitido por justa causa, mas sabe o que irá acontecer: Vai ser perdoado, próximo gol que fizer beijará o escudo, fará reverência a torcida, o Clube dará um aumento e fingirá que isso não aconteceu. isso não vale só pro Náutico, já aconteceu no Sport (Marcelinho Paraíba), Flamengo (Ronaldinho), Vasco (Romário) e em vários outros clubes do cenário nacional.
Sabe porque isso acontece? Os clubes são extremamente carentes em profissionalismo e amadores neste sentido.
Jogadores estão nas mãos de empresários ambiciosos atrás de mais e mais dinheiro (os nossos "ídolos" também são assim, não se iludam), os clubes cada vez mais deficitários e são reféns do talento e/ou do alto investimento feito nos atletas (logicamente, também não cumprem o acordado na grande maioria das vezes). Além do grande risco de uma Diretoria punir energicamente um jogador e a patota de companheiros fazer corpo mole e derrubar o time.
Nessas horas, levanto minhas mãos pro céu por não trabalhar com meu time, pois minha vontade seria de que Rogério passasse um tempinho só treinando (de meio-dia no calor de Recife), fosse descontado dos dias que fugiu, tomasse uma multa pra aprender que contratos existem pra serem cumpridos e só dava aumento se ele conseguisse fazer uns 10 gols na Série A.
Como não sou (e acredite estou aliviado por isso), Rogério será recebido por seu "pai" Kuki, pelo seu "irmão" Kieza e com uma série de boas atuações, eu e a grande maioria dos torcedores do Náutico "esqueceremos" que isso aconteceu, até ele ser vendido para outro clube.
Porque? Porque é assim que o mundo paralelo do futebol funciona para quem vive nele e nós torcedores fazemos parte e aceitamos isso. E segue a vida..
PS: Rogério, agora, trate de melhorar sua finalização, viu?

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