quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Nada se dispara sozinho

Lucas Lyra, 19 anos, torcedor apaixonado do Náutico, no último sábado foi até o estádio do seu time de coração assistir uma partida de futebol.

Kevin Baltrán, 14 anos, torcedor apaixonado do San José, na última quarta foi até o estádio do seu time de coração assistir uma partida de futebol.

Como se pode ver, ambos são jovens, gostam de futebol e acompanham de perto seus times. O que difere? Um está na UTI de um hospital público do Recife lutando por sua vida e o outro está em um caixão em Oruro.

Muita gente atribui aos dois casos, a palavra "fatalidade". Eu, francamente, não acredito nisso. Fatalidade seria se um raio caísse na cabeça de Lucas ou se a casa de Kevin fosse devastada por um terremoto, mas nada perto disso aconteceu. Lucas foi baleado e Kevin atingido por um sinalizador máritimo (não, você não leu errado, um sinalizador MARÍTIMO).

Antes fosse a polícia escoltando uma Avenida Alvirrubra, antes fosse..

A grande questão é, os homem que puxou o gatilho da arma ou o cara que acendeu o sinzalizador marítimo (porra, toda vez que escrevo isso não deixo de ficar incrédulo como alguém comprou uma merda dessa pra usar num estádio) não fizeram isso sozinhos. Esses crimes tem vários autores além dos infelizes que cometeram os disparos.

Isso passa desde as penas ridículas que o Judiciário aplica para casos ligados a violência no futebol, passa também por Confederações/Federações que só estão intessadas na grana que o futebol proporciona e respinga até nos clubes que são coniventes com essas merdas.

Sabe porque não resolvem o problema da violência nn futebol do Brasil? Simples, porque não há interesse. Seguem algumas perguntas para respostas rápidas:
  • Algum desembargador vai deixar de ver um jogo como visitante nas cadeiras para correr risco de tomar pedrada no meio da área reservada para torcida do seu time expremida em um canto do estádio?
  • Algum presidente de federação pega o ônibus que alguma organizada quebrou no dia anterior?
  • Algum dirigente de clube sai do estádio e anda alguns quilômetros para pegar ônibus na saída dos jogos?
O gabarito é NÃO, NÃO e NÃO.

Quem tem o poder de fazer alguma coisa simplesmente não sofre com a violência no futebol. Se escondem atrás de ternos em ambientes com ar condicionado e largam eu, você, Lucas, Kevin (que mesmo não sendo brasileiro, foi vítima de uma torcida brasileira) e todos os demais a própria sorte.


Quando acontecem casos com o de Lucas e Kevin, começa o festival de punições inutéis, declarações recheadas com a palavra "fatalidade" e um vilão é eleito, até que o assunto caia no esquecimento de novo. Nenhuma ação inteligente é tomada (proibir as organizadas só dentro dos estádios nada mais é do que enxugar gelo) e depois de um tempo, tudo volta a ser a merda que era antes.

Que punam os autores do disparos, mas que também sejam feitas ações enérgicas, passando por exigências do poder público sobre policiamento dentro e fora dos estádios, obrigando as Federações a marcar jogos em horários adequados (como é que alguém separa o início de um jogo do Náutico do fim de um jogo do Sport por 1h de diferença?) e que os culpados pelos incidentes sejam punidos, não só o indivíduo ou a torcida, mas até mesmo os clubes se necessário for.

Espero nunca mais ouvir da boca dos meus pais depois de um jogo a pergunta "Você ta inteiro?" ao invés de "Como foi o jogo?"

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