Copa de 1994. Roberto
Baggio se preparando para bater o penalti contra o Brasil na tão esperada
final... PRA FORA!
Quem lembra desse lance,
certamente ainda lembra do nervosismo e da emoção que foi assistir esse jogo.
Mas, apesar de citar esse lance épico do futebol canarinho, eu não vim aqui
falar desse esporte, estou aqui para falar de outra seleção, a seleção
brasileira de beisebol.
Mas porque citar Baggio no
começo do texto? Porque eu não sabia que poderia sentir tamanho nervosismo e
aflição como uma final de copa do mundo, assistindo beisebol.
Imagino que apenas os
aficcionados por beisebol saibam da classificação da nossa seleção de beisebol
para sua primeira copa do mundo do esporte, a chamada World Baseball Classic ou
WBC, conquistada no dia 20 de novembro do ano passado. Foi uma consquista
absurdamente fantástica e vou explicar porque.
A classificação de uma seleção
brasileira seja lá do que for pra uma copa do mundo seria motivo para tanto
estardalhaço, você me pergunta? Para responder essa pergunta eu preciso
apresentar os responsáveis pela façanha. Tenho o prazer de lhes apresentar a
famosa seleção brasileira de beisebol!
Como a lista de jogadores é
extensa, eu vou priorizar os jogadores que se destacaram no torneio, mas caso
queiram saber mais sobre a nossa amada seleção, podem acessar o link no fim.
Yan Gomes
Clube: Recém
transferido para o Cleveland Indians.
Posição: catcher,
terceira base, primeira base e defensor externo.
Foi o primeiro
brasileiro a jogar na Major League Baseball, a maior e mais importante liga de
beisebol do mundo. Estreou contra o New York Yankees em 17 de maio, em Toronto.
Terminou sua primeira temporada entre subidas e descidas da MLB para a Triple-A
(Liga de acesso). Na grande liga, teve 20,2% de aproveitamento, 4 home runs e
13 corridas impulsionadas em 11 idas ao bastão, uma atuação razoável. Foi
negociado com o Cleveland Indians logo após o término da temporada. Sua
formação esportiva ocorreu nos Estados Unidos. Ele praticava beisebol no
Brasil, mas se mudou para a Flórida com a família ainda adolescente, e subiu os
escalões do esporte americano (colégio, universidade e draft) até entrar em um
time da MLB.
André Rienzo
Clube: Chicago White Sox (Triple-A)
Posição: arremessador
(destro)
Aos 24 anos, é a
principal aposta para o Brasil ter mais um jogador na MLB. Ele entrou nos White
Sox em 2006 e foi escalando os níveis de ligas menores. Teve em 2012 sua
temporada mais agitada. Chegou a ser suspenso por uso de doping no meio da
temporada, mas teve um desempenho forte antes e depois da punição. Começou a
temporada no Single-A (Winston-Salem Dash) e subiu a ponto de terminar o ano no
Charlotte Nights, da Triple-A. Tem boas bolas rápida e de curva, mas ainda pode
evoluir em outros arremessos de efeito.
Paulo Orlando
Clube: Kansas City Royals (Double-A)
Posição: defensor
externo
Esteve perto de ser o
primeiro brasileiro na Major League Baseball. Na verdade, foi o primeiro a
fazer parte de um elenco da MLB, ao ser incluído na lista de 40 jogadores dos
Royals para a pré-temporada de 2012. Um bom desempenho o deixaria com boas
chances de ficar entre os 25 inscritos para a temporada, mas ele sofreu uma
contusão e acabou perdendo os treinos. Com a preparação atrasada, foi para o
Northwest Arkansas Naturals, da Double-A. Terminou o ano no Omaha Storm
Chasers, da Triple-A. Negocia para defender os Cardenales de Lara, da
Venezuela, no período entre o WBC e a temporada 2013 nos Estados Unidos. Sua
principal virtude é a velocidade, mas também tem bom aproveitamento no bastão.
Leonardo Reginatto
Clube: Tampa Bay Rays
(Single-A-)
Posição: shortstop e
terceira base
Jogador rápido, tem
tido melhoras no desempenho ofensivo. Em 2013, foi selecionado para participar
do All-Star Game da New York-Penn League.
Rafael Fernandes
Clube: Tokyo Yakult Swallows
Posição: arremessador
(destro)
Principal jogador do
Brasil no beisebol japonês. Atuou na Universidade Hakuoh entre 2006 e 2009,
quando assinou com o Swallows. Em 2011, teve sua primeira oportunidade no time
principal, pela NPB.
E contra a nossa seleção, as
equipes da Colombia, Nicaragua e o grande favorito Panamá, com Colombia e
Panamá representando grandes potências no esporte. A força de um país nesse
esporte se mede basicamente pela quantidade de jogadores que conseguiram chegar
à liga americana. Nosso Brasil, com apenas Yan Gomes, que mal conseguiu se
consolidar ainda, contra equipes recheada de estrelas da MLB. Para ajudar a se
ter uma idéia, há três anos, quando foi jogada a última copa do mundo, o Panamá
foi convidado diretamente, sem existir eliminatórias, pelo fato de ser óbvio
quem seria o classificado em uma hipotética eliminatória. Já esse ano, a
classificatória existiu, mas apenas como mera formalidade, todos sabiam quem
seria o selecionado, ou eram o que todos pensavam.
Primeiro jogo: Brasil x Panamá!
Sem colher de chá pra nossa seleção. Colocamos nosso melhor arremessador no
montinho pra tentar segurar a seleção panamenha. André Rienzo sobe no montinho
pra tentar dar a melhor chance possível pro Brasil e não decepciona. Apesar de
não ter jogado seu melhor jogo, Rienzo limitou a duas corridas o fortíssimo
ataque do Panamá, constituido por Carlos Lee, Ruben Tejada e o melhor catcher a
jogar na Major League no ano passado, Carlos Ruiz, jogador do Philadelphia Phillies.
André Rienzo conta, que ouviu os jogadores da seleção panamenha apostarem
cervejas para quem não conseguisse bater home runs dos seus arremessos,
ahahahaha, é, acabou que ninguém bateu e que a conta do bar da seleção
panamenha foi cara e todos acabaram embriagados. Em contrapartida o ataque
brasileiro liderado por Yan Gomes conseguiu o que precisava, 3 corridas para
avançar nas eliminatórias.
Segundo jogo: Brasil X Colômbia.
Depois de vencer a seleção da Nicaragua com certa facilidade, a seleção colombiana
se deparou com a surpresa do torneio. Pegamos o primeiro adversário
desprevenido, mas será que pegaríamos o segundo? Desprevenidos ou não, a
Colômbia tomou um chocolate do Brasil. 7x1. Brasil na final, a um passo da
classificação.
Terceiro jogo: Brasil x Panamá!
De novo? Pois é... O Panamá conseguiu se classificar pela repescagem, batendo a
Nicarágua e a Colômbia, conseguindo o direito de enfrentar o Brasil, de novo,
pela final das classificatórias. Dessa vez não teve apostinha de cerveja e o Panamá,
jogando em casa, não podia decepcionar sua torcida, que lotou o estádio
Nacional do Panamá. O jogo foi a mais emocionante partida de beisebol que eu já
vi. O Brasil jogou com confiança, fazendo o que podia para colocar jogadores em
base, jogando o famoso smallball, estilo de jogo usado principalmente por
equipes orientais, que foca em rebatidas simples, bunts, roubos de base e
sacrifícios, buscando uma corrida por vez. Demorou, mas o Brasil abriu o
placar.
Na terceira entrada, Leonardo
Reginnato e Paulo Orlando chegam em base e Yan Gomes consegue uma rebatida
simples que impulsiona o veloz Orlando a marcar a primeira corrida do jogo.
Enquanto isso, na defesa, Rafael Fernandes, segurou por seis entradas as
estrelas panamenhas sem ceder uma única corrida. Depois disso, foi substituido
por Murilo Golveia, que arremessou duas entradas perfeitas, deixando o Brasil a
apenas 3 eliminações da sonhada classificação. Os craques da seleção panamenha
tentaram, poderiam até ter marcado uma corrida na quarta entrada, mas por um
erro do corredor panamenho, ele acabou sendo eliminado no homeplate por ninguem
menos que Yan Gomes, impedindo a seleção do Panamá de abrir o placar e empatar
o jogo... Mas chegou a última entrada. A Seleção brasileira segurando a frágil
vitória de apenas uma corrida de diferença e o Panamá sedento por uma corrida,
aquela que lhe impediriam de ser caçoados mundialmente por terem perdido pra
uma equipe, que supostamente, nem sabia jogar direito.
Para defender nossa seleção,
sobe no montinho Thyago Vieira, o nosso fechador.
Não foi uma entrada fácil,
Thyago começou cedendo uma rebatida para o primeiro rebatedor que enfrentou.
Depois, Thyago consegue a primeira eliminação da entrada, em cima de Ruben
Tejada, 2B do NY Mets. A eliminação serviu pra aliviar a tensão na minha casa,
onde assistia o jogo e certamente fazer o contrário no estádio Nacional do
Panamá. O próximo jogador no bastão para o Panamá, o temido Carlos Ruiz, que
não perde tempo e arrebenta uma bola pro
campo central, fazendo o corredor na primeira base contornar a segunda base e
chegar fácil na terceira, a apenas 30 metros do empate, mas parando quando a
defesa brasileira se recuperava e jogava a basebola de volta. Com jogadores na
primeira e terceira base, mais uma pedreira pra Thyago Vieira, o gigantesco
Carlos Lee. Lee já foi um dos melhores jogadores a jogar na MLB e seu ponto
forte é justamente rebater bolas por cima das cercas nos magníficos estádios
americanos. Uma rebatida seria suficiente pra acabar com os planos do Brasil e
volto aqui a citar Baggio e Tafarel. Muita gente acha que beisebol é chato
porque é parado, apesar de eu não achar tão parado assim, mas um jogo
emocionante de beisebol é como uma decisão por pênaltis, cada time faz sua
jogada e se espera o resultado, mas enquanto se espera por cada jogada, o
nervosismo corrói as entranhas e um segundo é suficiente pra mudar toda a
partida. No caso do duelo entre Lee e Vieira não foi diferente, cada arremesso
era uma oportunidade e muita coisa se passa por trás de cada momento, técnicos
enviam sinais pra técnicos de base que por sua vez, passam pros jogadores, como
se fossem jogadores de xadrez mexendo suas peças, todo um jogo mental é
executado para tentar enganar os rebatedores. Finalmente, no último arremesso desse
embate, Vieira joga uma bola alta na zona de strike, assim como Baggio, mas
diferente do jogador italiano, a bola de Vieira induz Lee a tentar rebater uma
bola ruim, que o elimina por strike out, deixando o Brasil a uma eliminação da
inédita classificação. Com o pior passado, Vieira elimina o último panamenho
para dar o Brasil a chance de competir com os melhores do mundo, no Clássico
Mundial de Beisebol!
Muita euforia, champagne e
festa!
Mas meu amigo, foi só uma
eliminatória! Sim, sim, foi só uma eliminatória. Mas não, não foi só uma
eliminatória. Para quem não sabe, não existe beisebol profissional no Brasil,
ou seja, as pessoas que aqui o praticam, praticam por puro amor ao esporte. Sabe
quanto foi dado ao Brasil pelo comitê olímpico brasileiro, pelo ministério do esporte ou por quem quer que
seja aqui no Brasil? Absolutamente NADA. Nem um mísero centavo. Tudo foi
bancado pela MLB. O técnico brasileiro, não era brasileiro. Barry Larkin, trabalha como comentarista da ESPN gringa. Mas é um
jogador que foi eleito para o Hall da fama do beisebol americano e depois de
participar de algumas clínicas com alguns jogadores brasileiros, decidiu
VOLUNTARIAMENTE ajudar o Brasil nessas eliminatórias, levando o time a uma
classificação supostamente impossível. Por isso,
PARABÉNS, BRASIL! ESTAMOS COM VOCÊ NESSE WBC!




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